

Pérolas das ruas (2025)- Editora Patuá
Dizem que uma sinopse deve ser breve e objetiva. Infelizmente, sou um subversivo bossa nova, então prefiro usar este espaço para contar uma história.
Um dia, no tempo da nota de um real, topei com uma dessas na calçada. Ao abri-la, vi uma inscrição sobre “as bênçãos de Jesus”. Acho capcioso isso de misturar fé com dinheiro, mas, como era bênção, guardei-a. Segui andando e logo encontrei outra nota, com a mesma inscrição, mesma letra e mesma bênção. Jesus estava inspirado, viu? Achar dois dinheiros em cinco minutos era muita sorte! Assim, continuei meu caminho, e sabe o que aconteceu depois? Nada, porque achar três dinheiros já seria sorte demais até para um abençoado como eu.
Este livro surgiu do mesmo jeito, ou seja, tropeçando no acaso (ou graça). Prostitutas, balconistas, moradores de rua e tantos outros beija-flores me sopraram suas singelezas, enquanto eu caminhava por entre jardins de concreto. Tudo o que fiz foi ouvir. E agradecer.

Urgentes caramujos (2023)- Editora Costelas Felinas
Urgentes caramujos nasceu por necessidade e gratidão. Gratidão, pela poesia ser a casa onde me refugiei quando a pandemia desabou sobre nós, nossos planos e nosso futuro (ou a falta dele). Necessidade, por entender que, se a vacina nos defende da doença, a poesia nos salva da loucura. Estes versos são a prova disso. Num mundo com cada vez mais esporos e esporas, a poesia ainda nos acolhe com liberdade, talvez porque seja do mundo o verso.

Corônicas (2022)- Editora Folheando
Em março de 2020, o mundo mergulharia num lugar de onde ainda não saiu. Não até agora. Não totalmente. Mas aqueles primeiros meses foram diferentes: "foi acidente, foi caso pensado, foi coisa de Deus, foi coisa de morcego, só mata velho e no frio...". Então, depois que a cachaça, o carboidrato ou a catarse se tornaram insuficientes, o medo e o isolamento cobraram seu preço e cada um pagou do seu jeito. Este livro é meu recibo. Aqui presto conta de tudo que não dei conta, cada lágrima, mas também cada sorriso. Houve muitos deles: vizinhos fazendo música, gente aprendendo a cozinhar, a conversar, a se ouvir, a se olhar. E nestas preciosas e infinitas horas de dias tão iguais, percebi que, em tempos de mascarar nosso rosto, pudemos desmascarar nosso coração. Eis aqui o que vi por trás de meus olhos.